Superior Geral: Ir. Donatus Forkan
Conselheiros Gerais:
- Ir. Rudolf Knopp
- Ir. Jesus Estayo Arrondo
- Ir. Vicente Kochamkunnell
- Ir. Elia Tripaldi
- Ir. Robert Chakana
- Ir. Daniel Alberto Bocanegra
Provincial da Província Portuguesa: Ir. José Augusto Gaspar Louro
Conselheiros Provinciais:
- Ir. Adelino Manuel Espadaneira Manteigas
- Ir. Alberto Paulo Madureira Mendes
- Ir. José Raimundo Evangelista da Costa
- Ir. José Nunes Dorguete
A humanidade encara o século XXI cheia de temores e de esperança ao mesmo tempo.
Conseguimos progredir impressionantemente na compreensão e domínio do nosso mundo, que hoje nos aparece com uma grande aldeia – a aldeia global – mas, ao mesmo tempo, persistem ou intensificam-se sofrimentos individuais e coletivos, provocados pelas guerras, pelo egoísmo de classe ou de grupo e pela limitação da natureza humana, que nos recorda a presença permanente da dor, da doença e da morte.
A Ordem Hospitaleira de São João de Deus faz parte desta “aldeia global”. Somos 1.200 Irmãos, em torno de 45.000 Colaboradores, entre empregados e voluntários, e cerca de 300.000 Colaboradores-Befeitores.
Estamos presentes:
Nos 5 Continentes;
Em 51 Países;
Com 22 Províncias Religiosas;
13 Delegações Provinciais;
E 238 Comunidades;
Realizamos o nosso apostolado para o bem dos doentes, dos pobres e dos que sofrem, através de 309 Obras Apostólicas.
Sendo membros de um mesmo corpo, que é a Ordem, vivemos, no entanto, realidades bem diferentes:
- Há quem viva em Obras e sociedades altamente tecnizadas e quem viva em Obras e sociedades em vias de desenvolvimento;
- Há quem viva em nações envolvidas num clima de paz e quem, ao contrário, viva em países dilacerados pela violência, ou que sofrem ainda as conseqüências de um passado recente, caracterizado pela violência;
- Há quem goze de plena liberdade na sociedade em que vive, e quem, ao contrário, veja a sua liberdade, bem como seus direitos fundamentais severamente limitados;
- Há quem se dedique ao apostolado propriamente hospitalar e quem, ao contrário, se empenhe nos temas sociais ou nos setores de marginalização;
- Há quem tenha como missão a de ajudar a viver, enquanto para outros, o seu campo de ação é o de garantir à pessoa humana o morrer com dignidade;
- Ainda que todos trabalhemos na perspectiva de uma assistência integral, holística, há matizes que nos orientam muitas vezes para a saúde física, outras para a saúde mental, ou então para o melhorar das condições para uma vida digna, etc;
- Finalmente, há uns que vivem no Norte e outros que vivem no Sul, uns nas culturas do Oriente e outros na do Ocidente.
Todos nós que tornamos possível a obra da Ordem Hospitaleira de São João de Deus no mundo, nos interrogamos sobre o futuro que a Ordem será capaz de construir no próximo milênio a serviço do homem que sofre, do homem que se encontra em situação de necessidade e que pede a nossa ajuda para reconstruir o seu projeto social.
Em alguns casos, ao projetar o futuro, pode-se cometer o erro de deixar de lado o passado, não por má vontade, mas simplesmente por descuido, por escassa ponderação, pelo desejo de incorporar realidades novas.
Em outros casos, a necessidade de fazer mudanças profundas e de enfrentar situações de ruptura, exige deixar de lado acertos do passado, pois os tempos novos exigem respostas novas, e considera-se oportuno libertarmo-nos dos laços com o passado, para que haja mais liberdade para construir criativamente o futuro.
É necessário projetar o futuro a partir do presente, tendo em conta toda a tradição positiva do passado: pensamos que seja esta a situação em que se encontra a Ordem Hospitaleira, que quer projetar o seu futuro com uma reflexão atualizada dos seus princípios e valores.
Provavelmente haverá lugares e formas de atuação por parte da Ordem que exijam uma mudança e poderá acontecer que em alguns casos essa mudança deva ser radical, se queremos estar presentes neste terceiro milênio a prestar um serviço à população e a transmitir uma mensagem que seja atual. Por isso, não há dúvida nenhuma de que toda a Ordem Hospitaleira de São João de Deus deverá fundamentar-se nos valores que tem caracterizado esta nossa Instituição.
Estes valores deverão ser inculturados, atualizados na sua expressão, realizados em harmonia com a diversidade dos lugares do mundo, pois só deste modo poderão ser conhecidos e aceitos pelas pessoas que venham a ter contato com as nossas Obras.