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"SE ENTRARES PARA O SERVICO DO SENHOR, PERMANECE FIRME..."

“...Estando João de Deus em Gilbratar, encontrou um fidalgo com sua família. Este estava sendo expulso da cidade, pelo o que tudo indica, por ter cometido um delito. Foram-lhe confiscados seus bens e eles seguiam a caminho de Ceuta, cidade situada ao norte da África, conquistada pelos mouros. Desse encontro nasceu uma amizade.
Chegados a Ceuta, a situação se complicou financeiramente. E como se não o bastasse, a doença os surpreendeu.
O fidalgo decide contar a João sua grande aflição. O amigo o ouve e propõem-se a trabalhar nas muralhas e a sustentar a família.
Trabalhando nas muralhas, João fez um amigo. Um dia, os trabalhadores passaram a ser tratados como escravos. O amigo de João, não suportando mais as humilhações, fugiu para terras muçulmanas e renunciou a fé cristã, o que deixou João muito abalado, entrando em profunda crise espiritual. É então aconselhado por seu diretor espiritual a deixar Gilbratar...” (Livro da Vida de São João de Deus)
 
Esse é um pequeno resumo de uma parte da vida de São João de Deus.
 
Verifica-se nessa situação a humildade que já estava no coração de João de Deus.
 
Deus já estava trabalhando de tal forma no seu interior, que João sujeitou-se a trabalhar para uma família que estava passando necessidade, sem nada receber em troca. Seu coração já estava tão cheio do amor de Deus, que foi levado a praticar o bem incondicionalmente. Compadeceu-se e ajudou. Mas poderia nada ter feito.
 
Hoje, quantas famílias padecem de males que mundo tem laçado sobre elas, como as doenças, o desemprego, os desentendimentos, a falta de perdão, a desunião, e tantas outras coisas que tem afetado e desestruturado as famílias da nossa sociedade, inclusive as nossas.
 
O mundo tem iludido as pessoas com falsas promessas, tem feito casais se separarem na certeza de encontrar alguém melhor fora do relacionamento, o consumismo tem feito dos seres humanos robôs, as crises sociais, na política, na economia, tem gerado desemprego aos pais e mães de família e todas essas situações os têm desorientado.
 
Faltam os “Joãos”. As famílias estão precisando daqueles que tenham a coragem de mostrar a elas um Deus de amor, que pode lhes dar muito além daquilo que é material Aquele mesmo Deus que impulsionou o coração de João para amar incondicionalmente, para arriscar tudo pela causa que servia.
 
E essa ajuda não pode ser apenas assistencial, ela deve ser integral. Temos a certeza de que João não apenas ajudou aquela família financeiramente, mas a confiança que João tinha em Deus, com certeza transformou a fé daquela família.
 
Porém, essa não é uma tarefa fácil. Nota-se que quando João entrega-se inteiramente a Deus e isso se dá na doação integral àquela família, esse seu comportamento começa a mostrar à própria família e a todos os que estavam ao redor que Deus havia feito uma revolução de amor no seu interior. Ele passou a evangelizar através de suas atitudes. Daí vem o sofrimento na própria carne, as humilhações que ele começa a sofrer como empregado na muralha.
 
Sabemos que trabalhar para Deus não é fácil. E ele mesmo nos disse que não seria. “Se entrares para o serviço do Senhor permanece firme e prepara tua alma para a provação.” (Eclesiástico 2).
 
Com o sofrimento chegam também as tentações do abandono da fé, do abandono da obra, assim como João sentiu-se tentando quando seu amigo abdicou da fé.
 
Mas é nessas horas que devemos recorrer a Deus, pois apenas ele faz-nos fortes para agüentar as batalhas da vida e do campo da hospitalidade. Não desista! Deus precisa que você esteja firme para aguentar o que vier, pois Ele prometeu estar conosco. Porém, seja prudente. Faça como João: afaste-se daquilo que te faz mal, porém, não deixe de ajudar a quem precisa.
 
Muitas famílias precisam de nós. Precisam encontrar Deus nos “Joãos” do nosso tempo. Você está disposto a ser um “novo João” pela sua família e pela dos outros?
 
 
Escrita por Frei José Lisboa (sac.)