O Advento é considerado um tempo litúrgico forte, caracterizado pela presença atuante de Maria que responde a proposta do pai no Mistério da Encarnação de Jesus, pela força do Espírito Santo.
Temos aqui toda a comunidade divina que se revela aos povos de todas as raças e nações. E o lugar dessa revelação encontra espaço em Maria de Nazaré. Os textos litúrgicos do Advento exprimem uma aguda tensão entre a espera da manifestação gloriosa do Senhor no fim dos tempos (Parusia), e a alegria de sua vinda em nossa condição humana, nascido de mulher, para revelar-se a todas as raças e a toda a criação.
Nossa Senhora tem papel fundamental na vinda do filho do homem ao mundo, pois se por um homem e por uma mulher o pecado veio ao mundo, também por um homem e uma mulher ele haveria de sair. Maria é mulher forte, decidida, que aceita o plano de Deus sem hesitar e deixa que através dela o mundo conheça o verdadeiro amor: o amor de Deus. Ela foi a primeira a preparar o caminho.
A reforma litúrgica do Concílio Vaticano II quis conscientemente conservar o significado desse tempo também como espera do Cristo Glorioso em sua segunda vinda no meio de nós, ou advento Escatológico. É a espera vigilante e alegre, também chamada de Advento Natalino, por ser a preparação para o Natal. Neste tempo emergem três figuras de grande alcance para a espiritualidade cristã:
A primeira é a figura do profeta Isaías que com seu anúncio de esperança perene alimenta a nossa esperança ardente, vivida com impaciência até certo ponto angustiosa, pois o povo está cansado de esperar por dias melhores, por dias de salvação, de acordo com a promessa.
A segunda é a figura de João Batista, o último dos profetas até Jesus. Ele nos coloca no verdadeiro espírito do Advento e nos exorta à vigilância e à perseverança. É o sinal de intervenção de Deus em favor do seu povo. Ele é o precursor, que tem a missão de preparar os caminhos do Senhor.
Assim como naquele tempo os profetas prepararam a vinda de Jesus, hoje somos nós os convidados para dar continuidade com o projeto de Deus, isto é, realizar o sonho do próprio Deus: preparar o caminho dele nos corações; sermos ponte, caminho, para Jesus nascer dentro do irmãos; conhecer e reconhecer esse Jesus que está presente em todas as criaturas, especialmente nos pobres, nos doentes, nos marginalizados, nas mães solteiras, ou seja, em todos os que necessitam.
Que você viva bem o tempo do Advento: tempo de espera, de vigia, de praparação, de renascimento.
Peçamos a Nossa Senhora a graça de como ela, dizermos sim ao plano de Deus, e assim gerar vida e transformação ao mundo.
Pe. José Lisboa.